Ouvindo Peter Gabriel dizer que caminha pela ponte mantendo os olhos para baixo, fico pensando naqueles que teimam em dizer que devemos sempre olhar “em frente”. Por quê? Para que?
Meu pensamento neste momento simplesmente teima em vagar por frases sem sentido, palavras desconexas, talvez na esperança de encontrar algum sentido no ponto final da frase.
Lembro-me de um tempo (parece séculos) em que eu lutava para não escrever. Depois, veio o tempo da apatia, onde escrever ou não era a mesma coisa. Hoje, apesar de brigar com ela (a vontade de escrever) constantemente, sinto que fui vencido, e que simplesmente escrevo quando quero ou não quero. E não me importo mais se faz ou não sentido para os outros. Aliás, acho que nunca me importei.
Quanta coisa inútil passa pela nossa vida e insistimos em guardá-las no baú da nossa mísera existência. Um belo dia, resolvemos revirar o lixo e descobrimos que aquilo que procuramos não está mais lá... jogamos fora no lugar do verdadeiro entulho. Guardamos os dejetos de nossas vidas e jogamos (ou simplesmente perdemos) o que nos trouxe até aqui.
Ficamos com a sensação de que algo ficou para trás, que deixamos de fazer algo, embora não consigamos lembrar o que. E ficamos olhando para o espelho da nossa mente sem enxergar nada, com uma cara vazia e abobada. Quando nos viramos para seguir andando, temos nossa fronte embrutecida, dura, gasta. E damos mais um passo rumo ao desconhecido. Procurando...